quinta-feira, janeiro 03, 2008

TEATRO REFLEXO - SINTRA

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Workshop de narração e desenvolvimento Interior
Espaço Cultural teatro reflexo – Sintra
26 de Janeiro de 2008 (Sábado)
(Das 10.00 até 19.00 – com intervalo para almoço de 1h)
AV. Heliodoro Salgado, 41, 1º Fundo – 2710- 575 Sintra
Próximo Do Museu de Arte Moderna (por cima do Supermercado Ponto Fresco)
Marcações pelos contactos: teatroreflexo@gmail.com
Tlf: 214 213 188/210 501 837
www.teatroreflexo.com


Ilda Oliveira

Desde muito cedo passou por experiências únicas, na sua vida pessoal, que lhe deram uma visão da sua existência mais ampla, e da vida em geral. Iniciou um processo de auto conhecimento e desenvolvimento pessoal. Acreditando profundamente na compreensão dos Instrumentos com que vimos dotados a esta Vida, entendeu que só buscando mais, e estudando profundamente o Ser Humano, ajudando-o no seu comportamento, poderia contribuir para a melhoria de si própria assim como de todos os demais…
Dedica-se intensamente à Escrita, à Contação de Histórias, Poesia, Palestras e Workshops e demais projectos que envolvam a Palavra e a Música, num Respeito pelo Passado da Humanidade no contexto de uma história herdada que entre muitos acontecimentos transmite experiência e Valores. Como avançar para o Futuro sem esse compreender, como Educar a geração presente! Numa base de positivismo e optimismo podemos proporcionar com certeza um Futuro melhor, onde os Valores permaneçam e crescem em paralelo com as novas tecnologias e ciência. Elevando a nossa Sociedade mais ainda num Respeito mútuo pelas demais diferenças existentes no Mundo …


Este Workshop "Quando o Conto ganha Vida dentro de Mim e de Ti."
* A descoberta do Narrador dentro de Nós…

Tem como objectivo Desenvolver o gosto pela leitura e a oralidade, a fim de estimular a criatividade e a imaginação, resgatando a ludicidade, a expressão
oral / corporal contribuindo assim para a formação integral do ser humano e de cidadãos que valorizem o nosso patrimônio cultural e preservem a nossa identidade.

Todos as dinamicas, levaram à descoberta do narrador dentro de nós. Assim como a um aumento de auto-estima. Resgatando o imaginário, articular o sensível, tocar o coração para sentir-se Vivo, alimentar o espírito, regatando significados para a nossa existência e reactivar o Sagrado dentro de Nós. Proporcionando uma experiência particular de aprendizagem na tomada de consciência de si próprio assim como o encontro de uma nova forma de Educar utilizando as Histórias ou demais formas de narrar para chegar ao outro através de um processo novo de cativar. E assim sendo o Educar e Respeitar contribuíram para o crescer conjunto de todos nós.

sábado, dezembro 22, 2007

HISTÓRIA "A PERGUNTA DA LU! "


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A TODOS QUE VISITAM ESTA CASA.
OBRIGADO PELO ANO DE VISITAS E PELO CARINHO E SORRISOS QUE AQUI DEIXARAM. BEM HAJAM
Deixo esta História como Presente a todos.

A Pergunta da Lu!

Lu era uma menina de 3 anos, linda como todas as crianças do Mundo. Seu cabelo era loiro, olhos azuis, rosto bem fofinho e olhar brilhante e cheio de vida.

O que mais gostava de fazer era olhar à noite as estrelas no céu a brilhar e escutar as histórias que a sua mãe contava, mas entre vários livros que tinha, o que mais ela adorava ver era um livro pequenino que falava das estrelas e dos planetas. Lu até já sabia o nome de todos os planetas que vivem em conjunto com o planeta Terra, neste cantinho do espaço á volta do Sol.

Certa noite, Lu com o seu pequenino livro das estrelas na mão, perguntou à mãe:

- Mãe, como se chama os homens que estudam as estrelas?

A mãe com o seu sorriso habitual, e sua voz meiga respondeu:

- São astrónomos filha.
- Então, quando for grande, quero ser astrónoma. Mãe, compras para mim um telescópio como este do meu livro, para eu ver as estrelas mais de perto?
- Um dia querida, compro. Receberás ele num aniversário de surpresa.

E mais uma vez a Lu adormeceu tranquila na sua caminha…

Passado algum tempo, numa outra noite a Lu fez mais uma pergunta, sendo esta, muito mais difícil de responder.

- Mãe, o que é Deus?

A mãe da Lu, colocou a mão no seu coração e respirou fundo, para sentir e encontrar uma resposta para dar à sua menina estrela. Sempre respondia com verdade à sua filha. E desta vez também o faria. Mas como?
Pensou…
Sentiu…
Até que, quando o seu coração aqueceu de uma forma especial, como por magia a resposta surgiu…

- Lu, gostas da mãe?
- Sim, mãezinha.
- Então, isso é Amor. Gostas também do Pai?
-Sim, mãezinha gosto.
- Então, isso também é Amor.

Pouco a pouco e de forma tranquila a mãe da Lu foi dando exemplos de quem ela gostava, e Lu respondendo sempre que sim. E a mãe sempre dizendo com muito carinho que era Amor. Desde as pessoas, às plantas e aos animais. Tudo o que Lu amava.

Após esse momento, a mãe disse:

- Querida agora imagina que Deus é todo esse Amor, e que está todo dentro de um balão. Que vais enchendo e enchendo de muito Amor…
- Que acontece Lu, quando enchemos muito o balão?
- Rebenta mãe e faz pum…
- Sabes querida, Deus estava tão cheio de Amor, tão cheio. Que um dia rebentou de felicidade, e quando isso aconteceu, nasceram as estrelas, os Planetas, e dentro de alguns planetas como na Terra. Nasceram as plantas, os animais e os Homens.
- Hum, então é por isso mãezinha que dizes que sou uma estrela?
- Sim, digo que és. Porque, quando uma criança nasce na Terra, nascem estrelas no Céu. Umas parecem brilhar mais, outras menos. Mas brilham mais, porque estão mais próximas da Terra. E que todas as crianças estrelas são importantes na Terra para a Vida.

Lu naquela noite adormeceu tão tranquila, que ao acordar pela manhã do dia seguinte, disse:

- Mãezinha, sonhei que Deus fez muitas árvores.

Como por magia, naquele Domingo, uma visita inesperada veio. Era a tia Isabel e o tio Fernando, que vieram buscar a Lu e a mãe para passear de carro. Foram a um lugar lindo que existe em Portugal, esse lugar é Serra da Arrábida que fica junto ao Rio Sado, e que tem muitas árvores.

Lu viajava no carro em silêncio, com o seu olhar brilhante e vivo, olhando pela janela e admirando todas aquelas árvores que embelezam aquela paisagem. Lu estava muito Feliz… Jamais a Lu esqueceu aquele momento, assim como a sua mãe. Ambas ainda guardam a magia daqueles dias…

Tempos mais tarde, a Lu recebeu o tão desejado telescópio, estava mais crescidinha, mas a promessa que a mãe tinha feito um dia à sua menina estrela, tinha de ser cumprida, porque quando se promete algo a uma criança, sempre, mas sempre se deve cumprir.

Naquele aniversário, Lu tinha na sua frente, um grande presente para desembrulhar. Quando tirou o papel ao ver aquela caixa grande, nem queria acreditar. Mas ao abri-la, confirmou que ali na sua frente estava mesmo o telescópio que tanto tinha alimentado o seu mundo de Criança…

E tu que sonhas, jamais deixes de Acreditar que tudo pode acontecer…


ILDA OLIVEIRA

segunda-feira, dezembro 03, 2007

UM DIA COM MIGUEL TORGA - TOMAR 8 DEZEMBRO



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UM DIA COM MILGUEL TORGA - CENTENÁRIO DO ESCRITOR DIA 8 DE DEZEMBRO EM TOMAR

10h/13h e 14h/18h
Histórias Correntes - Maratona de Contos

Contadores: Ilda Oliveira, José Paula Santos, João Patricio, Joaninha Duarte e Nuno Garcia Lopes.
Biblioteca Municipal de Tomar

O OUTORGA - RECITAL DE POESIA POR O CONTADOR DE HISTÓRIAS
CASA DOS CUBOS

quarta-feira, novembro 21, 2007

"O MOLDADOR "


* Caros amigos e visitantes deixo-vos esta História, de minha autoria, que em breve verão em Livro. Que Ela Ilumine o vosso Coração.*
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Os Sonhos são Histórias que precisam de Homens para existir…



A História que vou contar fez-se primeiro sonho para poder Viver de novo entre os Homens, depois Materializou-se e tornou-se Realidade…



Esta história veio de muito Longe…

Veio daquele tempo antes das Pirâmides do Egipto terem sido construídas. Nesse Tempo existiam grandes e belas Cidades no lugar onde hoje existe o Deserto.



Numa dessas Cidades, vivia um menino de 4 anos. Era lindo, de cabelos bem negros e pele morena. Esse menino seria mais tarde conhecido pelo Moldador.



Por todos era muito amado, mas quem ele mais amava era a sua mãe. Ela dedicava-lhe carinho e atenção como a ninguém. Para o menino era como o Mundo somente existisse em redor da sua mãe…



Desde muito novo o Moldador apresentava-se como um Ser muito Especial; aos quatro anos, já parecia ter 10 em pensar e sentir…



Certo dia, e tendo ainda 4 anos, estava a passear junto a um lindo jardim quando viu a mais bela flor que tinha visto…

Naquele momento, nasceu dentro dele uma grande vontade de colhê-la para a dar à sua querida mãe. Mas, se assim o sentiu, logo pensou melhor, como era habitual em seu Interior. A maturidade que já tinha permitiu que não arrancasse a flor do jardim, sabendo que ela morreria ao ser arrancada. Mas mesmo assim mantinha o desejo de dar a flor à sua mãe.



Pensou…pensou… Até que teve uma ideia!

Com as suas pequeninas mãos e com o ar que existia ao seu redor o menino do Nada criou através do Moldar, uma flor igual à que tinha visto.



Correu para casa e deu a flor à mãe.



- Mãe, como não podia tirar a Vida de uma bela Flor do jardim, com as minhas mãos fiz esta igual, só para ti.



Ela logo estendeu as suas mãos quentes e doces para receber a flor do seu filho, e disse:



- Oh meu querido filho, que linda flor fizeste … e que bem que cheira! Vou levá-la para o lugar mais especial da nossa casa.



O Moldador jamais esqueceu aquele momento. A sua mãe correu para o quarto, colocou a Flor junto à sua cama, e disse que assim todas as manhãs poderia ser desperta pelo perfume dela.



Aquele acto transformou o menino. Depois daquele dia, ele começou a moldar do Nada tudo aquilo que tinha vontade de ter para brincar ou usar, e à medida que foi crescendo outras coisas moldava e oferecia…



O Tempo foi passando e o menino foi crescendo até se transformar num lindo moço. Tinha mais ou menos 12 anos, quando um dia, ao passear pela praça da Cidade, viu junto a um Templo um pobre.



O pobre estendeu a mão pedindo-lhe pão. O Moldador nada tinha consigo…



A não ser…o seu desejo e a sua arte do moldar o Nada. E do nada moldou um pão e o estendeu ao pobre…



Mas, para espanto dele, ao colocar o pão por si moldado na mão do outro, algo aconteceu…



O Pão materializou-se na mão do pobre, e ele viu-o comer desse pão. Depois daquele dia, o Moldador passou a criar através do seu Moldar do Nada tudo o que fosse necessário aos seus e à comunidade.



Anos passaram e o seu Dom começou a ser conhecido de muitos. Terras distantes chamavam o Moldador para os ajudar. E ele sempre corria para ajudar.



Já Homem feito, um dia foi convidado por uns Sábios de uma Terra muito distante. O Moldador fez a mais longa viagem que até então tinha realizado.



Apresentou-se no Templo daquele povo Sábio e perante todos demonstrou o seu Dom, criando do Nada tudo o que lhe foi pedido pelos sábios. Por fim, um representante daqueles sábios disse:



- Vejo que teu Dom é de facto um grande Bem, assim como vejo que também és um grande Ser, que sabe respeitar o Todo que vive em cada Criatura. Mas tenho uma pergunta para te fazer. Como foi possível chegares a este Dom?

- Ainda lembro o momento mais bonito da minha Vida. E nele está contido o segredo! A minha primeira criação foi uma flor que dei à minha mãe. Ela mostrou-me o seu acreditar, e outros demais assim o fizeram, até ao dia em que eu também passei a Acreditar. E, porque não tinha ninguém que me dissesse o contrário. O meu Dom pôde crescer até ao ponto que sabeis…

O Segredo é somente um: Acreditar!

quinta-feira, outubro 18, 2007

DIA MUSIDANÇAS NA FNAC CASCAIS


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Caros amigos e Visitantes estarei presente no dia 28 Sabado de Outubro

Um dia inteiro com várias atracções, apresentando um pouco do que é o Festival Musidanças!

Confira em breve a programação e participe!

10hs. "A culpa não é do cão!" Companhia Alem da Lenda (Teatro Infantil)

14hs. Contando histórias - Ilda Oliveira


17hs. Quarto Crescente (Música Portuguesa - Ritta Tristany & David Chaves)

20hs. Marieta M - Performance de Alexandre Pring

22hs. Azamkwá (Estreia) - Projecto Musical com Firmino Pascoal & FernandoTerra

Bem vindos!

O Festival Musidanças já faz parte da agenda do público amante da boa música feita em português.
Este ano, o Festival acontecerá em Novembro. Mas para que a espera não se tornasse solitária e dolorosa, criámos para o nosso público fiel e querido as Noites Mestiças Musidanças.
Durante os meses de agosto e setembro, estas noites mágicas aconteceram em Lisboa, no Cabaret Maxime.
http://www.noitesmusidancas.blogspot.com/

quarta-feira, outubro 10, 2007

Workshop 13 e 27 e Sessão de Contos dia 13 Sabado


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Dois eventos Caros amigos para Sábado, o 1º é o Workshop o 2º " Noites de Mistério e Terror " no Animateatro - Amora . Por isso amigos aproveitem bem este sábado.

Workshop de NARRACÃO DE HISTÓRIAS
ILDA OLIVEIRA
Contadora de Histórias, Formadora e Escritora
SETUBAL, 13 e 27 de Outubro 2007

"Quando o Conto ganha Vida dentro de Mim e de Ti."

- A busca do narrador que existe dentro de nós …

O Conto só pode existir fora de nós, quando ganha Vida dentro.

Este Workshop tem como objectivo facilitar a dinâmica de grupo em contexto psico-social, rico em estímulos que desenvolvem as potencialidades de cada participante para favorecer o desenvolvimento pessoal como narrador, amadurecimento e aprendizagem. Entre vários jogos com muita riqueza criativa e a troca de experiências entre o animador e participantes. Técnicas relaxamento, fantasia orientada, jogos de comunicação não verbal e verbal, movimento criativo, como integração de alguns aspectos fundamentais dos jogos psicológicos...
Todos estes jogos levaram à descoberta do narrador dentro de nós. Assim como a um aumento de auto-estima. Proporcionando uma experiência particular de aprendizagem na tomada de consciência de si próprio assim como o encontro de uma nova forma de Educar utilizando as Histórias ou demais formas de narrar para chegar ao outro através de um processo novo de cativar. E assim sendo o Educar e Respeitar contribuíram para o crescer conjunto de todos nós.
Contar histórias é uma atitude multidimensional. Ao contar histórias atingimos não apenas o plano prático, mas também o nível do pensamento, e, sobretudo as dimensões do mítico - simbólico e do mistério. Assim conto Histórias para formar leitores, para v valorizar etnias; manter a História viva; para sentir-me Viva, para encantar e sensibilizar o ouvinte; para estimular o imaginário; articular o sensível; tocar o coração; alimentar o espírito; resgatar significados para nossa existência e reactivar o sagrado.

1. Conto - Narrador - Auditório - a busca do triângulo mágico.
2. Ler – vivenciar – contar
3. O Narrador e a "incorporação" do Conto
4. Potenciar a escuta
5. " Códigos " de ética e conduta do narrador


Público-alvo: Interessados em geral na arte de contar histórias , Profissionais da área da Saúde, Educação (professores, pedagogos, bibliotecários), Cultural, Lazer e recreação, estudantes, adultos e terceira idade.
O workshop decorrerá das 9.30 às 19 horas, havendo um intervalo para almoço entre as 13h00 e as 14h30.
Terá um limite máximo de 25 (vinte e cinco) participantes.


Terá um limite máximo de 25 (vinte e cinco) participantes.
Pode fazer a marcação pelos contactos:" Cafexperimental encontra-se situado na Rua Frei Agostinho da Cruz 24 em Setúbal pode fazê-lo através dos números : 265530087 ou 918267999. "


Sessão de Contos
Espaço Animateatro
A Animateatro sugere para este fim de semana...


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Sábado (dia 13 de Outubro) pelas 21h30m: Noite Temática de Histórias "Mistério e Terror" por Ilda Oliveira e José Santos. (M16A).

Praceta José Maria Vieira Loja 4A 2845-478 Amora

(perto das piscinas municipais em Amora)

Reservas- 212254184/ animateatro@gmail.com / www.animateatro.org

sábado, outubro 06, 2007

"A Marca que Deixamos nas Pessoas"


Quando era criança, bem pequena, o meu pai comprou o primeiro telefone de toda vizinhança. Lembro ainda daquele aparelho preto e brilhante que ficava na cómoda da sala.
Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ficava a ouvir fascinado
enquanto minha mãe falava com alguém.
Certo dia descobri que dentro daquele objecto maravilhoso morava uma pessoa simpática.
O nome dela era "Uma informação, por favor" e não havia nada que ela não soubesse.
"Uma informação, pôr favor", poderia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa. A minha primeira experiência pessoal com aquele génio da garrafa, veio num dia em que minha mãe estava fora na casa de um vizinho.
Eu estava na garagem a mexer na caixa de ferramentas quando por descuido bati em meu dedo com um martelo. A dor era terrível, mas não havia motivo para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para me oferecer a sua simpatia.
Eu andava pela casa, chupando o dedo dolorido até que pensei: O telefone!
Rapidamente fui até o porão, peguei uma pequena escada que coloquei em frente à cómoda da sala. Subi na escada, tirei o auscultador do gancho, coloquei – o junto ao ouvido. Alguém atendeu e eu disse: "Uma informação, pôr favor".
Ouvi uns dois ou três cliqueis e uma voz suave e nítida falou em meu ouvido. ""Informações"", - Eu machuquei o meu dedo. Disse, e as lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência. "A sua mãe não esta em casa?", a voz perguntou."Não tem ninguém aqui...", eu soluçava."Está a sangrar?" "Não",
"Eu machuquei o dedo com o martelo, mas está a doer...""
Consegue abrir o congelador?", ela perguntou. Eu respondi que sim. "Então pegue um cubo de gelo e passe no seu dedo", disse a voz. Depois daquele dia eu ligava para "Uma informação, por favor" e por qualquer motivo. Ela ajudou-me com as minhas dúvidas de geografia e ensinou-me também onde ficava a Filadélfia. Ajudou-me a fazer os exercícios de matemática. Ensinou o que o pequeno esquilo que eu trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas.
Um dia o meu canário Petey morreu
Eu liguei para "Uma informação, por favor" e contei o ocorrido.
Ela escutou e começou a falar aquelas coisas que se dizem para uma criança
que está crescendo. Mas eu estava inconsolável.
Eu perguntava: "Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem
tanta alegria para gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo
de uma gaiola?"Ela deve ter compreendido a minha preocupação, porque
acrescentou mansamente: "Paul, sempre lembre que existem outros mundos onde
a gente pode cantar também..."
De alguma maneira, depois disso eu me senti melhor. No outro dia, lá estava
eu de novo.
"Informações": disse a voz já tão familiar.
"Você sabe como se escreve 'excepção'?" Tudo isso aconteceu na minha cidade
natal ao norte do Pacifico. Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para
Boston. Eu sentia muita falta da minha amiga.
"Uma informação, por favor" pertencia aquele velho aparelho telefónico preto
e eu não sentia nenhuma atracção pelo nosso novo aparelho telefónico
branquinho que ficava na nova cómoda na nova sala. Conforme eu crescia, as
lembranças daquelas conversas infantis nunca saiam da minha memória.
Frequentemente, em momentos de dúvida ou perplexidade, eu tentava recuperar
o sentimento calmo de segurança que eu tinha naquele tempo. Hoje eu entendo
como ela era paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as
ligações de uma criança.
Alguns anos depois, quando estava indo para a faculdade, meu avião teve uma
escala em Seattle. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois voos.
Falei ao telefone com minha irmã, que morava lá, por 15 minutos. Então, sem
nem mesmo sentir que estava fazendo isso, disquei o número da operadora
daquela minha cidade natal e pedi: "Uma informação, pôr favor".
Como num milagre, eu ouvi a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem,
dizendo:"Informações".
Eu não tinha planejado isso, mas me peguei perguntando: "Você sabe como se
escreve 'excepção'?"
Houve uma longa pausa. Então, veio uma resposta suave: "Eu acho que o seu
dedo já melhorou, Paul". Eu ri. "Então, é você mesma!", eu disse. "Você não
imagina como era importante para mim naquele tempo".
"Eu imagino", ela disse. "E você não sabe o quanto significavam para mim
aquelas ligações. Eu não tenho filhos e ficava esperando todos os dias que
você ligasse".
Eu contei para ela o quanto pensei nela todos esses anos e perguntei se
poderia visitá-la quando fosse encontrar a minha irmã."É claro!", ela
respondeu. "Venha até aqui e chame a Sally".
Três meses depois eu fui a Seattle visitar minha irmã. Quando liguei, uma
voz diferente respondeu:"Informações".
Eu pedi para chamar a Sally."Você é amigo dela?", a voz perguntou.
"Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul"."Eu sinto muito, mas a Sally estava
trabalhando aqui apenas meio período porque estava doente. Infelizmente, ela
morreu há cinco semanas". Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou:
"Espere um pouco. Você disse que o seu nome é Paul?
"Sim!"
"A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar
caso você ligasse. Eu vou ler para você".A mensagem dizia: "Diga a ele que
eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar também.
Ele vai entender". Eu agradeci e desliguei. Eu entendi...
NUNCA SUBESTIME A "MARCA" QUE VOCÊ DEIXA NAS PESSOAS".

terça-feira, setembro 18, 2007

PALAVRAS ANDARILHAS


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Caros visitantes e amigos durante estes dias estarei no Festival ímpar, a nível nacional, na promoção do conto, do livro e da leitura.

Mais uma vez o tradicional encontro dedicado à promoção do conto, do livro e da leitura, promovido pela Biblioteca Municipal de Beja (BMB), inclui, até dia 23, uma Estafeta de Contos, um Encontro de Aprendizes do Contar, um Festival de Narração e, novidade este ano, uma Feira do Livro e da Leitura.
Por isso convido a todos a Viajar até Beja este final de semana.
Voltarei em breve...

segunda-feira, setembro 10, 2007

Pocahontas - Para reflexão

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Este clip do Filme Pocahontas abre bem a semana.Deixo-o aqui como reflexão e como partida para um olhar diferente sobre a Vida.
Desde o dia que vi pela primeira vez este filme, não mais esqueci este momento que deixo hoje para todos os amigos e visitantes deste blog.
Bem hajam
BOA SEMANA

domingo, setembro 02, 2007

WORKSHOP DE NARRAÇÃO


MATOSFERREIRA
GALERIA DE ARTE
* Marcações pelos contactos da Galeria ou pela própria *
BAIRRO ALTO - Rua Luz Soriano, 18 / 1200 - 247 LISBOA * Tlf: 213 230 011 Tlm: 962 953 722
www.galeriamatosferreira.com - mfgaleria@netcabo.pt

Workshop de NARRACÃO DE HISTÓRIAS
ILDA OLIVEIRA
Contadora de Histórias, Formadora e Escritora
Lisboa, 8 de Setembro 2007

“Quando o Conto ganha Vida dentro de Mim e de Ti.”
- A busca do narrador que existe dentro de nós…


O Conto só pode existir fora de nós, quando ganha Vida dentro. Para ser verdade, ele tem de ganhar Vida em nosso Interior. É assim como tudo em nossa vida e assim é nos Contos. Ao pensar nesta formação, recordei o meu caminho como ser Humano assim como o de Contadora. Ambos tocam-se ou melhor fundem-se num só Caminhar. Eles são um só Viver no respeito mútuo perante as diferenças de personalidade e da Sociedade.
“ Quando o Conto ganha Vida dentro de mim e de ti” pretende ser uma abordagem aos processos internos mobilizados por cada narrador e quando do acto de contar, abordagem desenvolvida sempre a partir do vivido (experimentado) e em torno de exercícios práticos.
1. Conto - Narrador - Auditório - a busca do triângulo mágico.
2. Ler – vivenciar – contar…
3. O Narrador e a “incorporação” do Conto
4. Potenciar a escuta.
5. “ Códigos “ de ética e conduta do narrador

sexta-feira, agosto 31, 2007

" Sarau de Poesia " Convite a Todos os visitantes e Amigos


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Dia 1 de Setembro de 2007 * Este Sábado *

MATOSFERREIRA GALERIA DE ARTE BAIRRO ALTO - Rua Luz Soriano, 18 / 1200 - 247 LISBOA * Tlf: 213 230 011 Tlm: 962 953 722
www.galeriamatosferreira.com - mfgaleria@netcabo.pt

No sábado, dia 1 de Setembro 2007, pelas 20 horas, será inaugurada a exposição de pintura a óleo intitulada MUSGO DA VIDA do artista ANTÓNIO MATOS FERREIRA - De Matos, como assina - para a qual tomamos a liberdade de convidar. Será servido um Licor Beirão de Honra.
Seguindo-se pelas 21.30 Sarau de Poesia e Música Sob um nova Visão.
SARAU DE POESIA E MÚSICA
POEMAS DE:
ILDA OLIVEIRA e DAVID RODRIGUES
Sob O Tema:
MUSGO DA VIDA: DA ESCURIDÃO À LUZ.
Declamadores: DAVID RODRIGUES e ILDA OLIVEIRA
Músicos
MARLENE JESUS
Flauta transversal
DAVID RODRIGUES
Harpa
Paula Fernandes
Violino
Viola – Valentina Costa e Voz – Jeanine Pacheco

terça-feira, agosto 07, 2007

" Monges gananciosos e grandes propósitos "


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Há muito tempo atrás, na Coréia, havia um mestre que cobrava muito dinheiro pelos seus ensinamentos. Ele era um monge, mas se alguém dissesse que não tinha dinheiro, ele diria: "Vá embora". Se a pessoa tivesse muito dinheiro, então ele conversaria com ela. Um dos preceitos de um monge é não lidar com dinheiro, mas ele parecia
amar o dinheiro e parecia ser muito ganancioso. Ninguém gostava dele e ninguém queria ir vê-lo, mas ainda assim as pessoas se sentiam atraídas por ele, pois
ele sempre ajudava àquelas que vinham procurá-lo. Após escutarem o seu discurso
de Darma, as pessoas se sentiam muito relaxadas, todos os seus pensamentos e as
suas preocupações desapareciam. Aquele monge não confiava em ninguém. Uma vez
por semana ele pegava o dinheiro e o escondia nas montanhas. Naqueles dias
existiam apenas moedas. Ele as colocava em grandes potes de cerâmica. O seu secretário sempre achava estranho que ele desaparecesse todos os sábados. A
cada semana seu tesouro aumentava e ele se sentia muito feliz; ele se deliciava
em observar aquilo tudo. Certo dia o seu secretário disse: "Quando você aceita
os preceitos de monge, você se compromete a não gostar de dinheiro." O Mestre respondeu: "Se você tivesse uma mente clara você entenderia. Se a sua mente não
é clara, mesmo que eu lhe ensinasse os 84.000 sutras, você não compreenderia."
Isso continuou por dez anos e assim ele encheu muitas jarras de dinheiro. Repentinamente, um enorme furacão destruiu a cidade. Todos estavam famintos e
com frio. O Mestre meditou naquela manhã e agradeceu ao Buda. Agora era hora de fazer o seu trabalho. Ele ordenou ao seu secretário e a outras pessoas que
buscassem carrinhos de mão e o seguissem. "Porque?", ele perguntou. "Simplesmente traga os carrinhos e muitas pessoas", ele respondeu. Todas as pessoas o seguiram
e ele lhes mostrou o dinheiro. Elas pegaram todas as jarras e as entregaram ao prefeito da cidade. O Mestre disse ao prefeito: "Há dez anos atrás eu percebi que
a cidade seria destruída e que todos sofreriam. Sem dinheiro você não conseguiria reconstruir a cidade. Use esse dinheiro para isso." O prefeito quase desmaiou, pois sempre considerara aquele homem muito avarento. Mas o Mestre salvou a cidade.

Ji Kwang Dae Poep Sa Nim
One dust particle swallows Heaven and Earth
Tradução de Khalis Chacel e Tárika Lima

sexta-feira, agosto 03, 2007

" Eu sei, mas não devia " de Marina Colasanti



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* Caros amigos e visitantes desta casa da Palavra, hoje deixo este texto como reflexão para o final de semana. Mantenho o texto original em Português do Brasil porque assim entendo ser. Respeitando a originalidade da grande senhora Marina Colasanti. *

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

***Um Abraço ***

segunda-feira, julho 23, 2007

"Contos que Curam"


" Galeria Matos Ferreira - Rua Luz Soriano, 14 e 18 Lisboa "

Caros Amigos e Visitantes estarei na Galeria Matos Ferreira próximo da Saída do Metro Baixa Chiado - Largo do Camões. No dia 26 Quinta Feira pelas 21.30 com a Palestra " Contos que Curam " .

Até 5ª Feira

Um Abraço

sábado, julho 21, 2007

" Processo à Luz "


www.ashistoriasdailda.no.comunidades.net/

Eis que um dia a escuridão se apercebeu de que a Luz cada vez lhe roubava mais terreno, então, decidiu pôr-lhe um processo no tribunal.
Tempo depois, chegou o dia marcado da audiência. A Luz presonificou-se na sala antes da escuridão. Chegaram os respectivos advogados e o Juiz. Passaram uns minutos mas a escuridão não apareceu...
Finalmente, o Juiz, já farto de esperar, apresentou o seu veredicto a favor da Luz. O que teria acontecido à escuridão para não aparecer?
Como era possível que a escuridão tivesse interposto um processo e não tivesse comparecido?
Todos estavam espantados pela ausência dela. Mas a explicação era simples: A escuridão estáva à porta, mas não se atreveu a entrar porque sabia que seria dissipada pela Luz no mesmo instante.


*** Bom Final de Semana e muitos Pensamentos e Emoções Positivas ***

terça-feira, julho 10, 2007

" O Pote Rachado "



A História que se segue faz parte das muitas que conto, hoje lembrei dela...
Deixo-a como Presente aos Grandes Amigos que entram nesta casa todos os dias.

Havia na Índia um carregador de água que transportava - em ambas as pontas de uma vara que levava atravessada no pescoço - dois potes grandes de barro.
Um dos potes tinha uma racha e o outro era perfeito.
O pote perfeito chegava sempre cheio ao final do longo caminho que ia do poço até à casa do patrão.
Mas o pote rachado chegava apenas com metade da água.
E assim, durante dois anos, o carregador entregou diariamente um pote e meio de água em casa do seu senhor.
O pote perfeito, é claro, estava orgulhoso do seu trabalho.
O pote rachado, porém, estava envergonhado da sua imperfeição. Sentia-se miserável por apenas ser capaz de realizar metade da tarefa a que estava destinado.
Depois de perceber que, ao longo de dois anos, não tinha passado de uma amarga desilusão, o pote disse um dia ao homem, à beira do poço:
- Estou envergonhado e quero pedir-te desculpa. Durante estes dois anos só entreguei metade da minha carga, porque a minha racha faz com que a água se vá derramando ao longo do caminho. Por causa do meu defeito, tu fazes o teu trabalho e não ganhas todo o salário que os teus esforços mereciam.
O homem ficou triste com a tristeza do velho pote, e disse-lhe com compaixão:
- Quando voltarmos para casa do meu senhor, quero que repares nas flores que se encontram à beira do caminho.
De facto, à medida que iam subindo a montanha, o pote rachado reparou em que havia muitas flores selvagens à beira do caminho e ficou mais animado.
Mas no final do percurso, tendo-se vazado mais uma vez metade da água, o pote sentiu-se mal de novo e voltou a pedir desculpa ao homem pela sua falha.
Então, o homem disse ao pote:
- Reparaste em que, ao longo do caminho, só havia flores de teu lado? Reparaste também em que, quando vínhamos do poço, todos os dias, tu ias regando essas flores? Ao longo de dois anos, eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se tu não fosses assim como és, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.


(Autor desconhecido)

terça-feira, julho 03, 2007

Sebastião da Gama - O poeta beija tudo


* Entre muitos outros Poetas creio ser importante relembrar Sebastião da Gama nesta composição de Palavas que tanto ensinam...*


O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade...

E diz assim: "É preciso saber olhar..."

E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos...

E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás...

E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha...

E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso...

E acha que tudo é importante...

E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim...

E reparou que os homens estavam tristes...

E escreveu uns versos que começam desta maneira: "O segredo é amar..."


* Ao entrar num Site http://aaldeia.net dei com este e outros demais que tanto amo. Logo lembrei de o aqui deixar como Presente aos demais Irmãos da Palavra e do Educar que tanto me visitam. Obrigado *

domingo, junho 24, 2007

" O CAÇADOR DE BORBOLETAS




“ O Caçador de Borboletas “

Vladimir recebeu muitas prendas no Natal, entre livros, discos, jogos de
computador, mas gostou sobretudo do equipamento para caçar borboletas. O
equipamento incluía uma rede, um frasco de vidro, algodão, éter, uma caixa de madeira
com fundo de cortiça, e muitos alfinetes coloridos.
Aquilo deixou-o entusiasmado. Ele gostava de insectos mas não sabia que era
possível coleccioná-los, como quem colecciona selos, conchas ou postais, talvez até
trocar exemplares repetidos com os amigos. Nessa mesma tarde saiu para caçar borboletas. Foi para o matagal, junto ao rio, atrás de casa, um lugar onde se juntavam
insectos de todo o tipo. Já tinha apanhado cinco borboletas, que guardara dentro do
frasco de vidro, quando ouviu alguém cantar numa voz de algodão doce – uma voz tão
doce e tão macia que ele julgou que sonhava. Espreitou e viu, pousada numa flor, uma
borboleta linda como um arco-íris, mas ainda mais colorida e luminosa. Sentiu o que
deve sentir em momentos assim todo o caçador : sentiu que o ar lhe faltava, sentiu que
as mãos lhe tremiam, sentiu uma espécie de alegria muito grande. Lançou a rede e viu
a borboleta soltar-se da flor num voo curto e depois debater-se, já presa, nas malhas
de nylon. Passou-a para o frasco e ficou um longo momento a olhar para ela.
– Agora és minha – disse-lhe –, toda a tua beleza me pertence.
A borboleta agitou as asas muito levemente e ele ouviu a mesma voz que há
instantes o encantara:
– Isso não é possível – era a borboleta que falava. – Sabes como surgiram as borboletas? Foi há muito, muito tempo, na Índia. Vivia então ali um homem sábio e bom,
chamado Buda...
Vladimir esfregou os olhos:
– Meu Deus! Estou a sonhar?
A borboleta riu-se:
– Isso não tem importância. Ouve a minha história. Buda, o tal homem sábio e bom,
achou que faltava alegria ao ar. Então colheu uma mão cheia de flores e lançou-as ao
vento e disse: voem! E foi assim que surgiram as primeiras borboletas. A beleza das borboletas é para ser vista no ar, entendes? É uma beleza para ser voada.
– Não! – disse Vladimir abanando a cabeça. – Eu sou um caçador de borboletas.
As borboletas nascem, voam e morrem, e se não forem os coleccionadores, como eu,
desaparecem para sempre.
A borboleta riu-se de novo (um riso calmo, como um regato correndo, não era um
riso de troça):
– Estás enganado. Há certas coisas que não se podem guardar. Por exemplo, não
podes guardar a luz do luar, ou a brisa perfumada de um pomar de macieiras. Não
podes guardar as estrelas dentro de uma caixa. No entanto podes coleccionar estrelas.
Escolhe uma quando a noite chegar. Será tua. Mas deixa-a guardada na noite. É ali o
lugar dela.
Vladimir começava a achar que a borboleta tinha razão.
– Se eu te libertar agora – perguntou –, tu serás minha?
A borboleta fechou e abriu as asas iluminando o frasco com uma luz de todas as cores.
– Já sou tua – disse –, e tu já és meu. Sabes? Eu colecciono caçadores de borboletas
Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha
feito uma boa caçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:
– Muito boa – disse. – Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo.

(texto com supressões)
José Eduardo Agualusa, Estranhões e Bizarrocos,
Lisboa, Dom Quixote, 2000

quinta-feira, junho 14, 2007

O AMOR E A LOUCURA

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No início dos tempos, reuniram-se todos os sentimentos e qualidades dos homens num lugar da Terra.
Quando o Aborrecimento já se queixava pela terceira vez, a Loucura, como sempre tão louca, propôs-lhes:
- Vamos brincar às escondidas?
A Intriga levantou a sobrancelha intrigada, e a Curiosidade,sem poder conter-se, perguntou:- Escondidas? Como é isso?- É um jogo, explicou a Loucura, em que eu fecho os olhos ecomeço a contar de um a um milhão, enquanto vocês se escondem,e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro queencontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo.O Entusiasmo dançou seguido pela Euforia, a Alegria deutantos saltos que acabou por convencer a Dúvida e até mesmo aApatia.Mas nem todos quiseram participar, a Verdade preferiu não seesconder...para quê? Se no final todos a encontravam?A Soberba opinou que era um jogo muito tonto (no fundo, o quea incomodava era que a ideia não tivesse sido dela), e aCobardia preferiu não se arriscar.- Um, dois, três, quatro... - começou a Loucura a contar. A primeira a esconder-se foi a Pressa, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho.A Fé subiu ao céu e a Inveja escondeu-se atrás da sombra do Triunfo, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da mais alta árvore.A Generosidade, quase não conseguia esconder-se, pois cada local que encontrava, parecia-lhe maravilhoso para alguns de seus amigos: se era um lago cristalino, ideal para a Beleza. Se era uma árvore, ideal para a Timidez se esconder na sua copa, se era o voo de uma borboleta ou uma rajada de vento, magnífico para a Liberdade. E assim, acabou por esconder-se num raio de sol.O Egoísmo, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado e cómodo, mas apenas para ele.A Mentira escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se atrás do arco-iris) e a Paixão e o Desejo, no centro dos vulcões.O Esquecimento, não me recordo onde se escondeu, mas isso não é o mais importante.Quando a Loucura estava la pelos 999999, o Amor ainda não tinha encontrado um local para se esconder, pois já todos estavam ocupados, até que encontrou uma roseira e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre as suas flores.- "Um milhão", contou a Loucura e começou a busca.A primeira a aparecer foi a Pressa, apenas a três passos de uma pedra.O Egoísmo, nem teve que o procurar! Ele saiu disparado sozinho do seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.De tanto caminhar, sentiu sede, e ao aproximar-se de um lago, descobriu a Beleza. A Dúvida foi mais fácil ainda, pois encontrou-a sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado se esconder. E assim, foi encontrando-os a todos.O Talento entre a erva fresca, a Angústia, numa cova escura, a Mentira atrás do arco-iris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o Esquecimento, que já se tinha esquecido que estava a brincar ás escondidas.Apenas o Amor não aparecia em local nenhum...
A Loucura procurou atrás de cada arvore, por baixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas!Quando estava a ponto de se dar por vencida, encontrou um roseiral, pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando, no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito.Os espinhos tinham ferido o Amor nos olhos. A Loucura não sabia o que fazer para desculpar-se. Chorou, chorou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia.

Desde então, desde que pela primeira vez se brincou as escondidas na Terra.....o Amor é cego, e a Loucura acompanha-o sempre!


" Boa semana de Amor e Loucura !!! "

domingo, junho 10, 2007

Lenda da Boca do Inferno - Cascais

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Esta linda imagem vi-a pela 1ª vez num outro blog que entrei e gostei...
lembrou-me esta Lenda que aqui deixo para vós Amantes da Palavra e do Conto.


Segundo se diz, há muito tempo atrás, existia num local, hoje chamado Cascais, um castelo, onde vivia um terrível feiticeiro. Um dia, ele decidiu casar-se e escolheu para noiva a mais bela mulher das redondezas, através da sua lâmina de cristal de rocha. Quando a trouxeram até si, ficou impressionado porque ela era ainda mais bela do que parecia. Cheio de ciúme, e com medo de a perder, decidiu fechá-la numa torre alta, escolhendo para seu guardião o seu cavaleiro mais fiel. Este, cheio de curiosidade, decidiu um dia subir até à torre para ver que prisioneiro era aquele que guardava há tanto tempo . Quando abriu a porta, ficou fascinado com tamanha formosura. Foi aí que começou a visitar a jovem, nascendo dali um grande amor. Decidiram, então, fugir juntos e, montados num cavalo branco, cavalgaram pelos rochedos junto ao mar. Esqueceram-se, apenas que...a magia do feiticeiro permitiu-lhe ver tudo! Assim, cheio de raiva, ele criou uma tal tempestade que fez com que os rochedos por onde os namorados caminhavam se abrissem, como uma enorme boca infernal, que os engoliu para sempre. O buraco nunca mais fechou e começou a chamar-se, popularmente, a Boca do Inferno.