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terça-feira, setembro 29, 2009

IRAPURU - O CANTO DA FLAUTA MÁGICA


Entre as lendas amazônicas, deixo aqui hoje uma das que mais me tocou...

Irapuru é um dos menores pássaros da floresta amazônica e sem qualquer cor que chame atenção. Comparado ao explendor dos papaguaios, tucanos e araras pode ser considerado até feio. Mas em compensação, possui um canto incomparável.
Canta apenas quinze dias ao ano, por não menos de cinco minutos.
Seu gorjeio acontece ao alvorecer, quando todos os demais passarinhos ainda estão dormindo.

O canto do irapuru ecoa na mata virgem com um som puro e delicado, como o de uma flauta. Parece ser emitido por uma entidade divina. Quando canta o irapuru, a floresta silencia. Todos calam para reverenciar o mestre, todos somos seduzidos pela beleza do seu trinado.
Por que o irapuru gorjeia com tanto sentimento ?

Os índios tupi-guarani encontraram uma explicação.

Quem tiver o privilégio de ouvir seu canto, jamais o esquecerá.

Existem algumas lendas amazônica sobre o Irapuru.

Uma das narrativas conta que um jovem índio apaixonou-se perdidamente pela esposa do grande cacique da tribo. Incapaz de viver este amor impossível pediu a Tupã para ser transformado em ave para amenizar a sua dor. Desde então passou a cantar à noite uma bela melodia para fazer a sua amada dormir.

O cacique ficou tão fascinado pelo canto que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O irapuru voou para a floresta e o cacique, na perseguição, nela se perdeu para sempre.
Todas as noites o Uirapuru voltava para acalentar os sonhos do seu amor, esperando, também, que um dia, a índia pudesse reconhecê-lo e despertá-lo do seu encanto.

A outra narrativa conta que duas índias muito amigas apaixonaram-se pelo mesmo guerreiro da tribo. A história do amor das duas se espalhou pela aldeia, e os mais velhos resolveram perguntar ao índio qual das duas ele amava. Mais que uma resposta, confessou seu amor pelas duas.

Pelas tradições da tribo não era permitido o casamento com as duas índias e, assim, o conselho de anciões da tribo decidiu: “o guerreiro casaria com aquela que primeiro conseguisse flechar um marreco voando”.

O casamento foi realizado. A índia que perdeu foi ficando cada vez mais triste, pois não suportava a impossibilidade de realizar seu grande amor e a saudade da amiga Procurou um lugar distante e começou a chorar. Chorou tanto, que suas lágrimas se transformaram num riacho.

Inconformada com aquela situação implorou a Tupã para ser transformada num pássaro.

Tupã compadecido atendeu-a dizendo: “de hoje e para sempre serás o irapuru. Terás um canto tão lindo e harmonioso que te livrarás de teu sofrimento.
Quando cantares toda a floresta silenciará”.

Ver site: www.ashistoriasdailda.no.comunidades.net/

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