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sexta-feira, agosto 31, 2007

" Sarau de Poesia " Convite a Todos os visitantes e Amigos


www.ashistoriasdailda.no.comunidades.net/
Dia 1 de Setembro de 2007 * Este Sábado *

MATOSFERREIRA GALERIA DE ARTE BAIRRO ALTO - Rua Luz Soriano, 18 / 1200 - 247 LISBOA * Tlf: 213 230 011 Tlm: 962 953 722
www.galeriamatosferreira.com - mfgaleria@netcabo.pt

No sábado, dia 1 de Setembro 2007, pelas 20 horas, será inaugurada a exposição de pintura a óleo intitulada MUSGO DA VIDA do artista ANTÓNIO MATOS FERREIRA - De Matos, como assina - para a qual tomamos a liberdade de convidar. Será servido um Licor Beirão de Honra.
Seguindo-se pelas 21.30 Sarau de Poesia e Música Sob um nova Visão.
SARAU DE POESIA E MÚSICA
POEMAS DE:
ILDA OLIVEIRA e DAVID RODRIGUES
Sob O Tema:
MUSGO DA VIDA: DA ESCURIDÃO À LUZ.
Declamadores: DAVID RODRIGUES e ILDA OLIVEIRA
Músicos
MARLENE JESUS
Flauta transversal
DAVID RODRIGUES
Harpa
Paula Fernandes
Violino
Viola – Valentina Costa e Voz – Jeanine Pacheco

terça-feira, agosto 07, 2007

" Monges gananciosos e grandes propósitos "


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Há muito tempo atrás, na Coréia, havia um mestre que cobrava muito dinheiro pelos seus ensinamentos. Ele era um monge, mas se alguém dissesse que não tinha dinheiro, ele diria: "Vá embora". Se a pessoa tivesse muito dinheiro, então ele conversaria com ela. Um dos preceitos de um monge é não lidar com dinheiro, mas ele parecia
amar o dinheiro e parecia ser muito ganancioso. Ninguém gostava dele e ninguém queria ir vê-lo, mas ainda assim as pessoas se sentiam atraídas por ele, pois
ele sempre ajudava àquelas que vinham procurá-lo. Após escutarem o seu discurso
de Darma, as pessoas se sentiam muito relaxadas, todos os seus pensamentos e as
suas preocupações desapareciam. Aquele monge não confiava em ninguém. Uma vez
por semana ele pegava o dinheiro e o escondia nas montanhas. Naqueles dias
existiam apenas moedas. Ele as colocava em grandes potes de cerâmica. O seu secretário sempre achava estranho que ele desaparecesse todos os sábados. A
cada semana seu tesouro aumentava e ele se sentia muito feliz; ele se deliciava
em observar aquilo tudo. Certo dia o seu secretário disse: "Quando você aceita
os preceitos de monge, você se compromete a não gostar de dinheiro." O Mestre respondeu: "Se você tivesse uma mente clara você entenderia. Se a sua mente não
é clara, mesmo que eu lhe ensinasse os 84.000 sutras, você não compreenderia."
Isso continuou por dez anos e assim ele encheu muitas jarras de dinheiro. Repentinamente, um enorme furacão destruiu a cidade. Todos estavam famintos e
com frio. O Mestre meditou naquela manhã e agradeceu ao Buda. Agora era hora de fazer o seu trabalho. Ele ordenou ao seu secretário e a outras pessoas que
buscassem carrinhos de mão e o seguissem. "Porque?", ele perguntou. "Simplesmente traga os carrinhos e muitas pessoas", ele respondeu. Todas as pessoas o seguiram
e ele lhes mostrou o dinheiro. Elas pegaram todas as jarras e as entregaram ao prefeito da cidade. O Mestre disse ao prefeito: "Há dez anos atrás eu percebi que
a cidade seria destruída e que todos sofreriam. Sem dinheiro você não conseguiria reconstruir a cidade. Use esse dinheiro para isso." O prefeito quase desmaiou, pois sempre considerara aquele homem muito avarento. Mas o Mestre salvou a cidade.

Ji Kwang Dae Poep Sa Nim
One dust particle swallows Heaven and Earth
Tradução de Khalis Chacel e Tárika Lima

sexta-feira, agosto 03, 2007

" Eu sei, mas não devia " de Marina Colasanti



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* Caros amigos e visitantes desta casa da Palavra, hoje deixo este texto como reflexão para o final de semana. Mantenho o texto original em Português do Brasil porque assim entendo ser. Respeitando a originalidade da grande senhora Marina Colasanti. *

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

***Um Abraço ***